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"A casa" por: Gil Santos


Ao longo do tempo, a casa passou por transformações, mas mesmo sendo pequena e com um chão que não era de porcelanato, transbordava de amor, cuidado e abraços apertados. A comida, claro, estava presente, mas todos os dias vinha acompanhada de uma pitada de amor. Hoje, ao olhar para a vida adulta, percebo quantas coisas mudaram, mas ao relembrar a infância e adolescência, consigo sentir e ouvir nas noites de lua cheia, eu, meus irmãos e as crianças ao redor do meu pai, ouvindo suas histórias.


O tempo passou, muitas coisas mudaram ao longo da vida, mas o que não se perdeu dentro de mim foi a essência que mamãe e papai sempre enfatizavam: ter pouco não é um problema, desde que sejamos pessoas honestas com tudo e todos. Carrego conselhos valiosos para a vida, como "suas palavras devem valer mais que uma escrita" e "não prometa o que não pode cumprir".

O tempo também modificou a casa por fora, com mudanças na estrutura e nos cômodos para acomodar a todos. Lembranças de tempos em que havia café quentinho na cama, passos lentos se aproximando com uma caneca na mão, marcaram uma época que foi se transformando ao longo dos anos.

As crianças cresceram, a casa que era cheia tornou-se vazia, as panelas mudaram de tamanho e o formato de tudo se alterou. Mais móveis, mas menos pessoas. No entanto, a casa continua a existir. Hoje compreendo que as histórias, o carinho e a comida feita pelas mãos envelhecidas de minha mãe tinham o mesmo sabor, porque eram feitas com pitadas de muito amor.

O tempo nunca será o mesmo, tornou-se saudade, e embora desejemos que ele volte, sabemos que não retrocede. Precisamos viver cada momento com intimidade, pois no futuro teremos lembranças daqueles que se foram, deixando o legado do amor, do perdão e da gratidão. Lembranças que ouvi de minha mãe e meu pai, um "muito obrigada" que ecoa em minha mente.

Hoje, percebo que nesta vida, onde todos lutam por tudo, poucos se dedicam a fazer o bem ou a amar sem interesses. A casa física pode estar vazia, mas as lembranças permanecem aqui, dentro de mim. Abrace mais, ame mais, pois a vida é como um vento que passa por nós em minutos, e só então percebemos que não podemos mais dizer "eu te amo".

Mesmo que tudo fosse simples, era nessa simplicidade que residia a verdadeira riqueza.

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